Um dia te descobres
entre meus versos disfarçados
E percebes que a ti
sempre foram dedicados
Numa sílaba que
parece que está só para rimar
Diz, envergonhada,
o quanto estou a te amar
Linhas não
direitas, embaçadas e indirectas
Espreitam, com
raridade, por trás de nuvens pretas
Doces, meigas ou
rudes, insípidas
Gasosas, sólidas,
pastosas ou líquidas
São versos de amor,
de ódio ou de nada
Que, por ti,
escrevi, com propósito ou sem
Da maneira mais
tímida e vontade camuflada
Por vezes, um
sentido até parece que não têm
Ou existe alguém
cujo nome é Amada
Saberás nesse dia
que tu és o tal alguém