Tento me equilibrar nas linhas dos versos, embriagado
Querendo rimar sem perder o teor do conteúdo
Para não confessar mais do que pretendo, fico mudo
Num curto intervalo de lucidez bastante forçado
Não fique ou vá, não despeça ou ignore Evite avisar ou me surprender Peço que não acalme nem apavore Não deixe vivo a sofrer nem morrer Se for não ou sim não me diga agora Nem depois ou qualquer tempo que for Não suma mas não fique onde já mora Não desejo alegria nem torpor Quero viva a esperança de talvez um dia Hesitantes passos na porta da saída Uma dúvida permanente de vigia Nossos olhares presos entre a volta e a ida Um misto de raiva e contida simpatia Na meia luz da tarde quase anoitecida
Saudade até mata mas não que leve ao enterro O vírus -esse sim- me brindaria com um funeral Por isso, para te ver, por enquanto ainda espero Que passe a quarentena e junto leve este mal
Esposa dedicada de fidelidade que não há bolsa que abanque Por amor lava o edredão com as mãos no tanque Para sentir entre os dedos, os excessos da paixão A reflectir no sorriso o branco da espuma do sabão